terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Vila Velha torna ‘praia acessível’ para pessoas com deficiência


A Secretaria de Defesa Social de Vila Velha lançou, na manhã desta sexta-feira (30), o Projeto Praia Legal, que tem o objetivo de tornar a praia um espaço acessível para as pessoas com dificuldade de locomoção. A iniciativa, inédita no Estado, vai funcionar durante o verão na Curva da Sereia, na Praia da Costa.
Segundo o secretário de Defesa Social, Ledir Porto, inicialmente, a Curva da Sereia foi escolhida porque oferece uma maré mais mansa, propícia para receber o público do projeto, na sua maioria, cadeirantes. “É um projeto-piloto. Começamos pela Curva da Sereia, mas nada nos impede de levarmos o projeto para outros locais”. O secretário acrescentou que após o verão o projeto continua funcionando nos feriados e finais de semana.
Ledir explicou que a ideia de criar o projeto surgiu da demanda das próprias pessoas com deficiência, que enfrentavam uma série de dificuldades para tomar um simples banho de mar. O Praia Legal, segundo o secretário, oferece ao banhista com deficiência esteiras de acesso, cadeiras anfíbias - que flutuam na água -, rampas, chuveiros e banheiros adaptados.
O secretário informou ainda que foram construídas cinco rampas de acesso na orla, vagas especiais para veículos e um ponto de ônibus exclusivo para o “mão na roda”. Ele acrescentou ainda que uma equipe especializada, formada por professores de educação física e com experiência para atender esse público, ficará encarregada de fazer todo o receptivo a partir do momento em que o usuário chegar na praia e solicitar o serviço.
No calçadão, um posto de informação funciona como suporte aos profissionais que trabalham no projeto. No local, o público também poderá se cadastrar como voluntário ou usuário do serviço.
Além do banho assistido, o usuário pode jogar vôlei sentado e frescobol. Para o banho assistido, explica Ledir, o cadeirante será transferido de sua cadeira, que ficará guardada no posto de atendimento, para uma cadeira anfíbia. Um profissional leva o usuário até a água, onde ele poderá permanecer durante um período máximo de 20 minutos.
O Praia Legal, criado pela Secretaria de Defesa Social (Semdes), está sendo realizado em parceria com as secretarias municipais de Transporte e Trânsito, Ação Social; por meio da Subsecretaria de Necessidades Especiais, Saúde, Educação, Serviços Urbanos e Obras, além do Movimento Vida Nova (Movive) e do Núcleo de Estudos e Práticas de Arquitetura e Urbanismo e Design de Produtos (NEP), da Universidade de Vila Velha (UVV).

Bom exemplo
Ledir Porto confessa que para criar o Praia Legal se inspirou na experiência que vem sendo desenvolvida no Rio de Janeiro. Desde 2009, projeto semelhante passou a ser implantado no Posto 11, na Praia do Leblon, na capital carioca.
Mas os cariocas também foram buscar inspiração fora do Brasil. Projetos de acessibilidade já são oferecidos há anos nas praias da Europa. Na cidade do Porto, em Portugal, ou em Barcelona, na Espanha, o acesso à praia a pessoas com deficiência é cada vez mais comum. O serviço especial passou a ser uma exigência dos turistas que visitam as praias brasileiras.
Um levantamento recente apontou que hoje em Portugal existem diversas praias certificadas como acessíveis. Os portugueses deram início ao projeto ainda em 2004. Já no primeiro ano de funcionamento do projeto, 50 praias foram certificadas como acessíveis. Este ano, já são 175 praias acessíveis em Portugal. No Brasil, somente algumas cidades oferecem o serviço.

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